Projeto Nossa Velha - Nova Cruz Alta
Projeto Nossa Velha - Nova Cruz Alta
A história de Cruz Alta é, sem dúvida, uma das mais ricas entre todas as cidades do Rio Grande do Sul. Em diversos momentos, ela se entrelaça com a própria história do Estado e até mesmo do Brasil.
Ao longo do tempo, essa trajetória vem sendo narrada de diferentes formas. Historiadores importantes, como Josino dos Santos Lima, Isaltina do Pillar Rosa, Prudêncio Rocha e, mais recentemente, Rossano Cavalari, cada um a seu modo, têm contribuído para que essa história não se perca nem se distorça. Livros, pesquisas e artigos abordaram fatos, personagens, aspectos políticos, socioeconômicos e arquitetônicos — todos de valor inestimável.
Outra forma essencial de preservação da memória histórica é por meio das imagens, sejam elas dinâmicas ou estáticas. Sem elas, a memória visual de lugares e personagens importantes dificilmente chegaria às gerações futuras. Inicialmente, essa preservação se dava por meio de desenhos e pinturas. Com o surgimento da fotografia, em 1826, na França, passou-se a registrar a história com muito mais precisão e fidelidade.
Mesmo diante das enormes distâncias entre os continentes naquela época — especialmente quando comparadas à facilidade de acesso à informação que temos hoje — Cruz Alta não demorou a ser registrada pelas lentes fotográficas. Já existem imagens da cidade ainda no século XIX, com registros que datam por volta de 1880.
Como já foi dito: “A fotografia é uma máquina do tempo, capaz de nos transportar ao passado. É o meio mais rápido de nos levar a outros lugares, de revelar histórias e despertar emoções. É um instante congelado na memória. Nenhuma outra forma de expressão artística é tão contundente, profunda, exata e emotiva quanto a fotografia.” E Cruz Alta, por meio de suas imagens, insere-se plenamente nesse contexto.
No Projeto Nossa Velha-Nova Cruz Alta, buscamos resgatar essa cidade registrada no papel, transformando-a em bytes digitais que, ao serem compartilhados com milhares de pessoas pela internet, ganham uma nova forma de eternidade. Por meio de pesquisas, garimpos e doações de fotografias antigas, conseguimos salvar centenas — talvez milhares — de registros que estariam condenados ao esquecimento ou à destruição.
Neste projeto, paisagens e edificações antigas são comparadas com suas versões atuais, permitindo que, com um simples clique, possamos viajar por mais de um século e observar, de forma clara, as transformações do tempo. Em alguns casos, encontramos boas surpresas, como a preservação de prédios históricos. Em outros, infelizmente, constatamos a perda da memória arquitetônica original, muitas vezes substituída por construções de menor valor estético — quando não, francamente, desprovidas de beleza.
Em 2007, recebi por e-mail, de um amigo, uma coleção com cerca de 30 fotografias antigas de Cruz Alta — a maioria da década de 1940. Bastou isso para despertar em mim um lado até então discreto, quase desconhecido: um sentimento profundo de saudade e nostalgia.
Ao contemplar aquelas imagens, mesmo tendo nascido muitos anos depois de terem sido registradas, imaginei-me caminhando por aquelas ruas silenciosas, quase desertas, envoltas por uma calmaria inimaginável nos dias atuais. Ao mesmo tempo, comecei a comparar mentalmente aquela Cruz Alta do passado com a cidade de hoje.
Foi então que surgiu a ideia de fotografar os mesmos locais, nos mesmos ângulos, para mostrar exatamente o que havia mudado ao longo do tempo. Fiz uma primeira montagem em PowerPoint, simples e experimental, e o resultado foi extremamente gratificante.
Resolvi compartilhar essa experiência com alguns amigos — não mais que quinze contatos do meu catálogo de endereços. Mas, com a força da internet, o projeto rapidamente ultrapassou esse pequeno círculo. Em pouco tempo, milhares de internautas, cruz-altenses ou não, já haviam recebido o material, e começaram a chegar mensagens de incentivo e emoção. Foi esse retorno que me deu o impulso necessário para criar o Projeto Nossa Velha-Nova Cruz Alta.
A partir daí, iniciei uma verdadeira busca por imagens e histórias da cidade. Visitei instituições públicas, privadas, militares e escolas; conversei com pessoas mais velhas; pesquisei em livros, documentos e na internet; e passei a receber — como recebo até hoje — valiosas contribuições de amigos e colaboradores.
Com o tempo, percebi que o projeto despertava algo muito especial. Recebo com frequência mensagens de ex-cruz-altenses que vivem em outras cidades, estados e até outros países, relatando, de forma emocionada, a alegria de rever paisagens que marcaram sua infância, adolescência ou momentos felizes vividos aqui. Muitos vieram apenas passar férias em Cruz Alta, mas também aprenderam a amar esta terra.
Pouco a pouco, percebi que, ao reunir fotos e informações, eu também estava ajudando a contar a história de Cruz Alta — muitas vezes esquecida, ou sequer conhecida, por grande parte da população. Ao mesmo tempo, mostrava aos que partiram a cidade como ela é hoje.
Frequentemente, professores, palestrantes e outros profissionais entram em contato pedindo autorização para utilizar os projetos em aulas, encontros e apresentações. Desde já, deixo claro: sintam-se à vontade. Não sou dono da história da cidade. Apenas reúno imagens, acrescento música e procuro narrá-la de uma forma diferente, aproveitando o alcance da tecnologia para levá-la a milhares de pessoas.
Embora cada projeto exija muito trabalho — pesquisas, visitas, busca por fotos, entrevistas, fotografias atuais e longas horas de edição, quase sempre em meu escasso tempo livre — tudo isso me traz enorme satisfação. Aqui, inclusive, faço um agradecimento especial à minha família, pela paciência e compreensão diante de minhas ausências nos períodos de produção.
Enquanto houver material e motivação, continuarei produzindo esses trabalhos, pois acredito que, assim, contribuo para que a memória da cidade não desapareça.
Alguém já disse que um povo que esquece seu passado compromete seu presente e, consequentemente, seu futuro. O presente se constrói a partir do passado, assim como o futuro nasce do presente.
A história de uma cidade pertence à sua população. Por isso, acredito que todo material que venho reunindo deve ser compartilhado. Quanto mais pessoas tiverem acesso a ele, menor o risco de que se perca — como infelizmente aconteceu com milhares de fotografias e documentos antigos extraviados, destruídos ou descartados por falta de compromisso com a memória.
Espero que gostem dos trabalhos e coloco-me à disposição para qualquer questão relacionada.
Um agradecimento especial à UNIMED PLANALTO CENTRAL, de Cruz Alta-RS, que prontamente aceitou ser minha parceira, disponibilizando um espaço em seu site para publicação do projeto.
Coincidência, ou não, essa Unimed, criada em 1977, inicialmente com o nome de Unimed Cruz Alta, ao invés de construir nova sede, em 1988 adquiriu e reformou casa histórica do município (fotos ao lado), casualmente indo de encontro a um dos objetivos do projeto “Nossa Velha-Nova Cruz Alta”, que é o de estimular a preservação do patrimônio histórico da cidade.
Os projetos são produzidos à medida que novas fotos vão sendo adquiridas. Por isso, em alguns casos, os mesmos locais voltam a ser retratados, inclusive com imagens de ângulos semelhantes, ainda que de épocas diferentes. Isso é inevitável, pois seria impraticável refazer os projetos a cada nova fotografia de um lugar já publicado.
Assim, sugere-se que os projetos antigos sejam revisitados sempre que possível, para que se memorizem os locais que já apareceram e se comparem com as novas imagens, permitindo uma melhor análise da evolução de cada espaço.
Devido ao frequente acréscimo de novas informações, à substituição de fotos por outras de melhor qualidade e também a eventuais correções de equívocos ou erros de digitação, os projetos serão atualizados sempre que necessário. Essas alterações, porém, não modificarão sua estrutura básica.
Ao lado de cada projeto constará a data de sua última atualização. Recomenda-se, portanto, acessar o site com frequência e, se necessário, atualizar seus arquivos.
Este trabalho está totalmente aberto a críticas e sugestões, pois seu objetivo é ser constantemente enriquecido.
Ideias, comentários e novas informações sobre as fotos são muito bem-vindos, assim como o envio de fotografias antigas de Cruz Alta, documentos ou questões interessantes relacionadas à cidade.
As informações sobre as fotos antigas resultam de pesquisas e de conversas pessoais com pessoas da época, de modo que não se descarta a possibilidade de algum equívoco. Quem desejar questionar alguma informação, fique à vontade para comunicar-nos; teremos satisfação em averiguá-la.
Esse trabalho não tem patrocínio, nem tampouco fins lucrativos. Seu único estímulo e combustível são meu próprio interesse pelo tema e a satisfação demonstrada pelas pessoas ao recebê-lo.
O único apoio institucional de que precisei foi obtido junto à UNIMED Planalto Central – RS, que, pronta e gentilmente, disponibilizou um espaço em seu site.
Alfredo Roeber
E-mail: roeber@outlook.com.br